Reforma Tributária e o Agronegócio: Um Novo Horizonte para o Produtor Rural
- Nelson Alexander Schepis Montini OAB/SP 316.892
- 25 de set.
- 3 min de leitura
O agronegócio, considerado a espinha dorsal da economia brasileira, está prestes a vivenciar uma transformação significativa com a implementação da Reforma Tributária. A Lei Complementar 214/2025, que regulamenta essa reforma, promete revolucionar o cenário fiscal para os produtores rurais. Vamos desvendar as principais mudanças e como elas podem impactar o dia a dia no campo.
A Essência da Reforma Tributária
A Reforma Tributária, fruto da Emenda Constitucional nº 132/2023, tem como objetivo primordial simplificar o intrincado sistema tributário brasileiro. O cerne da mudança está na substituição de tributos como PIS, COFINS, ICMS e ISS por três novos impostos, visando uma maior transparência e eficiência na arrecadação:
Imposto sobre Bens e Serviços (IBS): Um imposto unificado, compartilhado entre estados e municípios, que incidirá sobre todas as etapas da cadeia produtiva, mas com a possibilidade de crédito tributário para evitar a cumulatividade.
Contribuição Social sobre Bens e Serviços (CBS): Um imposto federal que visa substituir contribuições sociais, simplificando a forma como as empresas contribuem para a seguridade social.
Imposto Seletivo (IS): Um imposto federal focado em produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas e agrotóxicos.
O Agronegócio no Centro das Mudanças

Imunidades e Não Incidências: Um Respiro para o Produtor
A nova legislação garante que certas operações no agronegócio não sejam afetadas pelos novos impostos. Isso inclui:
Transferência de bens entre estabelecimentos do mesmo produtor.
Doações sem contraprestação.
Esta medida visa preservar a dinâmica operacional do setor, evitando tributação em movimentações internas e incentivando práticas de responsabilidade social.
Alíquotas Reduzidas: Incentivo à Produção
Produtos Agropecuários In Natura: Haverá uma significativa redução de 60% nas alíquotas do IBS e da CBS para produtos como frutas, verduras, legumes e outros itens em seu estado natural.
Insumos Agropecuários: A mesma redução de 60% se aplica a insumos essenciais como fertilizantes, defensivos agrícolas e rações para animais (exceto animais domésticos).
Essa medida visa manter a competitividade do setor, controlar os custos de produção e incentivar a produção de alimentos saudáveis e sustentáveis.
Produtor Rural Não Contribuinte: Simplificação para Pequenos Produtores
Produtores com receita anual inferior a R$ 3.600.000,00 e produtores rurais integrados não serão considerados contribuintes do IBS e da CBS.
Esta disposição promete simplificar drasticamente a tributação para pequenos e médios produtores, reduzindo a burocracia e os custos de conformidade fiscal.
Crédito Presumido: Incentivo à Cadeia Produtiva
Contribuintes no regime regular poderão apropriar créditos presumidos do IBS e da CBS relativos às aquisições de bens e serviços de produtores rurais não contribuintes.
Esta medida visa estimular a integração da cadeia produtiva, beneficiando tanto produtores quanto compradores, e incentivando a formalização das operações.
A Reforma na Prática: O Que Muda no Dia a Dia?

Cadastro Único: Todos os contribuintes deverão se registrar em um cadastro unificado, simplificando a identificação e fiscalização.
Documento Fiscal Eletrônico: As operações serão comprovadas por meio de documentos fiscais eletrônicos, promovendo maior transparência e facilitando o controle.
Não Cumulatividade: O IBS e a CBS serão não cumulativos, permitindo que os produtores descontem os créditos referentes aos tributos pagos nas etapas anteriores da cadeia produtiva.
Oportunidades e Desafios: Navegando pelo Novo Cenário
Oportunidades:
Simplificação do sistema tributário, reduzindo a complexidade e os custos de conformidade.
Potencial redução da carga tributária para pequenos produtores.
Incentivo a práticas sustentáveis e produção de alimentos saudáveis através de alíquotas diferenciadas.
Desafios:
Necessidade de acompanhamento constante das regulamentações complementares.
Adaptação aos novos sistemas de emissão de documentos fiscais e apuração dos tributos.
Possível necessidade de investimento em tecnologia e treinamento.
Preparando-se para o Futuro: Próximos Passos
Mantenha-se Informado: Acompanhe de perto as regulamentações específicas para o agronegócio.
Busque Orientação Especializada: Consulte um contador ou consultor tributário para entender as implicações específicas para o seu negócio.
Invista em Tecnologia: Prepare-se para adotar novas ferramentas de gestão fiscal e emissão de documentos eletrônicos.
Capacite sua Equipe: Invista em treinamento para que todos estejam preparados para as novas práticas fiscais.
Um Novo Capítulo para o Agronegócio Brasileiro
A Reforma Tributária não é apenas uma mudança de regras; é uma oportunidade de modernização e eficiência para o agronegócio brasileiro.
Lembre-se, a informação é a melhor ferramenta para navegar por essas mudanças. Mantenha-se atualizado, busque orientação especializada e esteja pronto para adaptar suas práticas.





















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